Patrícia volta a falar em disputar eleição e defende unidade na oposição

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Publicado por Karol Matos
17 de setembro de 2021 às 09h00min
Foto: Tiago Calazans

Mergulhada desde o fim da eleição municipal de 2020, a delegada Patrícia Domingos (Podemos) voltou a falar sobre suas pretensões eleitorais para o próximo ano. Em entrevista ao Blog Cenário, ela disse que vai se candidatar a uma vaga para o legislativo, mas ainda não definiu em qual cargo. 

No ano passado, aos 45 do segundo tempo, Patrícia recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ela endossou que a continuidade do alinhamento com o Governo Federal, que pretende investir no nome do ministro Gilson Machado para o Governo do Estado, depende das definições da sua sigla, o Podemos. A delegada disse ainda que vai permanecer filiada ao partido que, segundo ela, poderá ou não ter candidatura própria. 

“Eu me mantenho filiada ao Podemos e a gente vai seguir esse direcionamento, esse alinhamento. A gente sabe que a eleição envolve toda uma conjuntura partidária. Ainda não houve a aprovação do texto do novo código eleitoral, sequer sabemos se ele vai ser aprovado ou não em tempo hábil para que vigore para essas eleições, então a gente pode ter ou não coligações, ter ou não a federação… então, a gente tem muitas conjuntura ainda para analisar e poder definir um posicionamento nesse sentido”, disse.

Sobre a corrida pelo Governo do Estado, Patrícia falou sobre a pulverização da oposição e destacou alguns dos pré-candidatos.

“Eu faço votos para que a oposição consiga montar um palanque único. Eu vejo essa como uma boa estratégia, talvez a única possível para quebrar esse ciclo, essa era de poder do PT e do PSB. Para o nosso estado, a gente tem excelentes quadros dentro da oposição. A gente tem, dentro desse páreo de possibilidades, dois excelentes quadros, que são prefeitos que têm uma gestão que realmente vem implementando mudanças e melhorias nas cidades: o prefeito Miguel Coelho e a prefeita Raquel Lyra. Então, a oposição tem possibilidade de conseguir sucesso nas eleições do próximo ano”, afirmou a delegada.

Patrícia, que recebeu mais de 112 mil votos dos recifenses, revelou ainda que tem feito conversas nos municípios. Um dos encontros aconteceu com Miguel, a quem teceu diversos elogios.

“Eu tive um encontro com o prefeito Miguel Coelho. A gente debateu sobre segurança pública, tanto em nível municipal, quanto em nível estadual e nível nacional, então foi bem interessante que um político jovem, que tem bons projetos, boas ideias, tenha garra, realmente, para batalhar pelas mudanças que o nosso estado tanto precisa. Tenho dialogado com as pessoas, como eu sempre digo: o nosso grande aliado é o povo, não só partidos políticos”, contou a delegada, que também detalhou os municípios onde tem entrada. “Com alguns, a gente tem mais aproximação, como Camaragibe, Paulista, Jaboatão, Ipojuca, Cabo. A gente tem muitas pessoas desses municípios, que confiam no nosso trabalho e que inclusive manifestaram a vontade de votar na gente durante as eleições municipais, sempre dizendo: ‘infelizmente eu não moro em Recife, não tem como votar em você’, e a gente sabe que essas pessoas agora vão ter a oportunidade de apoiar esse projeto da gente e conseguir ter alguém que lhes represente dentro do Poder Legislativo”, assegurou.

No segundo turno, Patrícia optou pela neutralidade, afirmando que jamais apoiaria um dos primos Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB). Ela fez uma avaliação dos nove meses de gestão do herdeiro de Eduardo.

“O que a gente tem visto até agora é uma gestão que não nos surpreende por continuar seguindo o mesmo padrão da gestão anterior. O jeitinho PSB de governar. A gente infelizmente continua vendo as mesmas práticas. João Campos lotou na Prefeitura com cargos comissionados várias pessoas que são historicamente ligadas ao PT, partido que ele tanto combateu e disse que não teria ninguém do PT na estrutura da sua equipe. O governo João Campos ainda não disse para que veio. Na verdade, para todos nós é muito claro: ele veio para ser uma continuação do desgoverno da gestão PSB”, criticou.

Patrícia Domingos é delegada há 13 anos e começou a liderar, em 2015, investigações contra crimes em administrações públicas. Foram realizadas 15 grandes operações, que resultaram na prisão de 49 pessoas, entre prefeitos, servidores e empresários. Em 2018, a Delegacia de Crimes Contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp), onde ela atuava, foi  fechada. A partir daí, Patrícia começou a criticar fortemente a política em Pernambuco, recebendo ainda mais notoriedade para concorrer a um cargo eletivo. 

Na última quarta, a Câmara dos Deputados aprovou a emenda que retoma a “quarentena eleitoral” para determinados profissionais como juízes, membros do Ministério Público, policiais federais, rodoviários federais, civis, guardas municipais, além de militares e integrantes da polícia militar, entre outros. Se aprovada pelo Senado, a medida que passa a valer a partir de 2026 determina que esses grupos só poderão concorrer à eleição, após quatro anos fora do cargo. A delegada acredita que a proposta seja rejeitada na Casa Alta.  

“A gente tem hoje, no Senado, excelentes representantes que estão batalhando contra essa aberração. A gente tá falando de um ato antidemocrático, uma tentativa totalmente injustificada de impedir alguns funcionários públicos de concorrerem às eleições, porque a restrição seria só para delegados, agentes de segurança, promotores e juízes. Por que não auditores e procuradores de municípios e estados? Para você ter uma ideia, a gente tem alguns representantes do legislativo… um deles é um ex-ator pornô, a gente tem um ex-palhaço, inclusive, a gente vai ter concorrendo nas eleições, um ex-presidiário. Então, não há justificativa plausível para que um funcionário público, concursado, de vida ilibada, não tenha essa mesma possibilidade, e possa concorrer a um cargo eleitoral e representar a população do nosso país. Eu faço votos que o Senado realmente não aprove essa aberração jurídica”, finalizou.

Karol Matos

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